Calma, prometo não ser chata, moralista nem conservadora, não sou dessas e nem pretendo ser. Amo o carnaval bem longe de mim, mas amo mesmo, respeito cada aspecto cultural da festa, admiro a alegria que provoca nas pessoas, a criatividade e a beleza das fantasias... mas quero tudo isso longe de mim.
Fui criada numa cidade em que o carnaval não tem tradição. Tem festa todo ano? Tem, mas uma festa que nem se compara com Recife, Olinda e outras cidades em Pernambuco que tem carnaval como tradição. Aqui as pessoas não se preparam o ano inteiro para o carnaval, aqui é só comprar a camisa e ir atrás do bloco e pronto, é um festejo com começo, meio e fim. Este é um dos motivos pra eu estranhar tanto meus amigos de Recife e Olinda falarem de carnaval em qualquer época do ano, já que fui acostumada a esquecer dele durante 11 meses. Uma festa ruim e sem tradição nunca me atrairiam, primeiro motivo pra não ter apego pelo carnaval.
Mas vamos partir pra uma questão mais pessoal, algo psicológico: Quando eu era criança tinha nojo de foliões. Entendam, não é moralismo, eu era CRIANÇA, o nojo era físico mesmo. Sempre que eu via de longe pessoas brincando carnaval, a minha sensação é de que estavam todos sujos, era repulsivo, eu nunca quereria aquelas pessoas perto de mim. Hoje eu tenho consciência de que não é bem assim, mas como controlar o inconsciente que ainda acha que foliões são repulsivos? (talvez eu precise de psicanálise). Outro ponto psicológico é: Tenho medo de aglomerados de pessoas. Quando vou pra um lugar cheio de gente, geralmente procuro o lugar mais vago possível, porque sei que começo a sufocar quando tem gente demais ao meu redor (sim, eu já andei de ônibus lotado u.u), é o fator psicológico da asma que alguns médicos (que provavelmente não tem a doença) dizem que não exite. Agora imagina o desespero que é estar cercada por uma multidão que me gera repulsão só de olhar? Só estive nessa situação uma vez, e a festa estava muito boa até que um frevo fez as pessoas se agitarem e eu ficar espremida entre elas, em desespero, querendo mais que tudo na vida sair dali. Depois desse dia nunca mais pisei na rua em dias de carnaval, e sempre que me imagino num bloco ou algo assim, me dá uma agonia e eu me imagino desmaiando. (talvez eu precise de psicanálise mesmo).
Mais recentemente tenho ficado triste no carnaval, porque lembro do meu pai, e suas festas de carnaval em casa, barulhentas, cheias de vizinhos, com muita bebida e muito desperdício de água pra molhar todo mundo e farinha de trigo pra sujar, e água e farinha e água... eu odiava tudo isso, mas é difícil se acostumar quando não tem mais.